Mesmo o mais rico pode ser muito infeliz se a sua inteligência é pobre e sua sensibilidade endurecida. Há quem pretenda ser mais inteligente para ganhar mais dinheiro e ser superior aos demais. Confunde inteligência --capacidade superior do espírito de captar a Verdade-- com riqueza material --acúmulo de bens que, se não bem regulado, pode levar o indivíduo ao eclipse espiritual pela falência da inteligência. Neste caso, o enriquecimento material transforma-se num algoz terrível, implacável, submergindo-o na miserabilidade espiritual e levando-o ao vício, à devassidão, à crueldade, à falta de respeito consigo mesmo, com os semelhantes e com a Natureza.
Apesar dos duros golpes da realidade que lhe sugere regular suas ambições, o materialista desafortunado não atina com tais ensinamentos pela dureza de seu entendimento não cultivado; e segue sua louca carreira em busca do poder e da riqueza.
Por outro lado, a pobreza material --outro fosso sem fundo--, nada tem a ver com a riqueza espiritual. Essa implicação pode interessar a quem pretenda subjugar os menos favorecidos com a ilusão de uma recompensa espiritual para contrabalançar a pobreza ou miserabilidade material.
Enquanto o ser humano não compreenda a razão de ser de sua existência na Terra, seguirá enfeitiçado pela miragem de um materialismo absurdo que, na riqueza ou na pobreza, faz de sua vida uma sucessão de dias sem significado.
Tudo o que o mais afortunado materialista acumulou no decorrer da vida e tudo o que o mais miserável deixou de ter, por desleixo ou por desprezo, confunde-se com o zero absoluto na infinita escala do conhecimento superior; os dois extremos compõem o verso e o reverso da mesma desvalorizada moeda.
No mundo da materialidade ou da vulgaridade, a extrema riqueza e a pobreza absoluta confundem-se num imenso vazio que abriga a todos para os quais a vida não tem outro significado que o suceder monótono dos dias e dos anos em busca daquilo que se esfuma após sua posse.
Na concepção logosófica ser significa saber; e ao conhecimento superior chega-se pelo cultivo da inteligência que é a jóia mais preciosa que o ser humano possui. Este cultivo, esta obra pessoal, não é uma obra literária; é um processo de aperfeiçoamento integral que possibilita ao ser humano descobrir, com sua inteligência, o segredo de sua própria natureza e o real objetivo de sua vida. Esta é a maior fortuna a que um indivíduo possa aspirar.
Nagib Anderáos Neto
www.logosophy.net
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